Creio que pouca coisa mudou em relação às subjetividades produzidas nas instituições de épocas passadas e atualmente.O trabalhador, ainda que de maneira disfarçadas ou até mesmo às claras, na maioria das vezes continua inserido em instituições disciplinares e de controle. Algumas vezes, o "feitor" apenas foi substituído pelo relógio de ponto ou câmeras de vigilância com alta definição. E mesmo que ele transite em diversos contextos sociais, ele precisa ser flexível, não porque seja um indivíduo dotado de subjetividade e capaz de realizar várias tarefas e estar mais apto a resolver problemas inusitados. Ele deve ser mais flexível porque na contemporaneidade exige-se que se faça "tudo ao mesmo tempo agora".Afinal, trabalhador exemplar é aquele que favorece ao máximo o aumento da produção.
Como pode ser visto no texto as relações de trabalho que foram se formando na contemporaneidade, mostra que as transformações precipitadas pelo capitalismo avançado geraram maneiras distintas de se administrar as organizações, gerenciar os trabalhadores e planejar as atividades laborais. Essas transformações serviram para se consolidar novas políticas de subjetivação, as quais se articularam diferentemente a cada tempo histórico, sendo efetuadas por meio de múltiplos agentes, destacando assim os proprietários, os trabalhadores, os clientes e a população em geral. A partir do termo política, temos então a partir do texto um sentido amplo: que é compreendida como a elaboração e disseminação de certos modos de se organizar a vida em sociedade, os quais são debatidos, contestados, legitimados e, em larga medida, compartilhados pelo coletivo. No artigo Guattari e Rolnik destacam que, a subjetividade é “essencialmente fabricada e modelada no registro social”. Eles ainda argumentam que a maneira como cada indivíduo se apropria desses componentes será singular e dependerá dos encontros que ele vivencia durante a trajetória de sua vida. Afirmam ainda que: “A subjetividade está em circulação nos conjuntos sociais de diferentes tamanhos: ela é essencialmente social e, assumida e vivida por indivíduos em suas existências particulares”. Ao falar desses dois conceitos (política e subjetividade), pode-se dizer que as “políticas de subjetivação” envolvem uma produção viva que é composta pelo contato, apreensão, acolhimento e/ou recusa dos diferentes componentes subjetivos que são inventados e colocados em circulação na esfera das relações sociais em dado momento histórico. Para enraizar essa política de subjetivação, que impunha que as instituições fossem disciplinares, no interior das fábricas, foi realizado todo um trabalho minucioso no sentido de fazer com que cada indivíduo se reconhecesse como alguém que estava sendo permanentemente vigiado por uma rede hierárquica extensa que era composta por pessoas especializadas, contratadas especificamente para realizar as atividades de vigilância e monitoramento. Por estar imerso nesse sistema disciplinar e ter consciência de parte do seu funcionamento, o trabalhador tinha clareza de que estava, na maior parte do tempo, à mercê de diferentes penalidades e/ou sanções caso fosse pego fazendo algo que contrariasse os códigos normativos ou caso diminuísse seu índice de produção. É possível identificar, então, a presença de mais um componente subjetivo, peculiar ao período disciplinar: o medo de ser demitido e excluído da produção em função da baixa produtividade ou da desobediência. As políticas de subjetivação disciplinar e de controle se mesclaram na contemporaneidade capitalista. Assim, ora o trabalhador é solicitado a adotar uma atitude obediente, sendo amplamente vigiado e monitorado por sofisticados equipamentos de controle,ora ele é convocado a assumir, por si mesmo, o controle sobre seus próprios índices de produção e sobre sua formação profissional. Transitando entre a disciplina e o controle, novas possibilidades de resistência, mas também de exploração, vão ganhando contornos.
De acordo com o texto políticas de subjetivação no trabalho: da Sociedade disciplinar ao controle, mostra a partir da análise das relações no trabalho da contemporaneidade, a existência de duas políticas de subjetivação, uma política que é caracteristicamente disciplinar (preponderante nos séculos XIX e XX ) e outra que tem nos dispositivos de controle, um de seus traços distintivos (e na qual a produção imaterial passa a ser mais amplamente disseminada). Em torno dos conceitos de subjetividade e política mostra-se que as “políticas de subjetivação” são envolvidas por diversas formas as relações sociais por meio do contato, apreensão, acolhimento, recusa dos componentes subjetivos. Assim, é importante analisar a forma como os indivíduos se constituem e a coletividade, para uma noção de uma dimensão inalienável e inesgotável nos seus movimentos de criação e destruição. Nos séculos XIX e XX o trabalho nas políticas de subjetivação tinha o objetivo de fazer com que o indivíduo se sentisse vigiado e monitorado. Como dizia Foucault: o sequestro do indivíduo para o trabalho, onde o trabalhador era condenado a ser formado, reformado, corrigido, sendo obrigado a adquirir aptidões, receber um certo número de qualidades, qualificar-se como corpo capaz de trabalhar. Com o passar do tempo, a política de subjetivação sofre mudanças, onde o trabalhador é consciente de seu papel na fábrica com a reprodução de valores sociais e práticas disciplinares. Junto com isso, outras forças, como o avanço tecnológico, a facilidade de acesso a informações, a rapidez na locomoção e a competitividade, começaram a exigir maior preparação para o trabalho, extrapolando, então, a mera aquisição de habilidades motoras básicas e repetitivas. No capitalismo atual as habilidades subjetivas foram exigidas de forma que o indivíduo consiga ser capaz de atender a necessidade de maior variabilidade entre as instituições, transitar nos contextos sociais, que formaram novos meios subjetivos nas organizações sociais e relações no trabalho. O trabalho agora imaterial, mostra profissionais descartáveis e substituíveis, sendo o indivíduo obrigado a cumprir metas e ter dedicação integral de trabalho que pode sim gerar adoecimento. Com isso o trabalhador hoje é obediente, pois está sendo vigiado e controlado e/ou ele deve ter o controle da sua produção e formação profissional.
O artigo levanta questões importantes sobre as políticas de subjetivação considerando o contexto do capitalismo. Por outro lado essas políticas de subjetivação sempre existiram, claro que não com esse nome,mas na dimensão do contexto de trabalho. Como o texto cita Foucault e Deleuze dois franceses pensadores do pós-guerra, vale lembrar também Antoine Prost(História da Vida Privada) que resgata de forma histórica a constituição de uma vida privada e pública em que o trabalho era também a mola propulsora, não nas indústrias, mas em casa. O trabalho que era realizado em casa pelos trabalhadores também estava sob uma política de subjetivação, pois ele, no seio da família desenvolvia suas atividades laborais em condições muito mais precárias do que a que se impõem em muitas das empresas. Claro que não negamos, e tão pouco concordamos com as formas de trabalho que submetem o ser humano a situações e condições que adoecem física e psiquicamente o trabalhado, no entanto é preciso pensar que essas situações sempre existiram e que não é uma condição imposta pelo capitalismo. Outro aspecto é a consideração de que esses mesmos pensadores jamais estiveram na condição de um trabalhador e que também nada fizeram para modificar a situação desses, pois estavam mais preocupados com suas elaborações filosóficas nos cafés de Paris no pós guerra. Quanto a questão da "hibridização" dos trabalhos materiais e imateriais essa é uma realidade! Não há como fugir dela! Por outro lado penso que também é um retorno ao trabalho doméstico, pois as empresas exigem que se tenha celular, e-mail, whats etc...para quê? Para controlar o trabalhador, pois tempo é dinheiro!Essa é a maior política de subjetivação: o trabalho adentra novamente a vida privada das pessoas, daí, aliada a pressão pela produção e o cumprimento de metas, advém o adoecimento físico e psíquico.Aqui fica a pergunta, que o artigo também não responde: Como mudar esse contexto? As pessoas estão dispostas a abrir mão de suas conquistas? Elas percebem que deixaram de ser sujeitos em sua individualidades, para se tornarem sujeitos coletivos(o que já impera desde a Revolução Francesa quando Rousseau mata a religião e institui o que é da ordem do social e não individual).
O texto levanta questões importantes a respeito da relação das mudanças socioculturais, políticas e econômicas e o trabalho e de que maneira ele vem se modificando desde então. As políticas de subjetivação que outrora tinham um caráter disciplinatório, onde o indivíduo colocava seu corpo, tempo e disposição a produção, passou por mudanças e hoje seria uma sociedade de controle, onde como afirma o texto o conhecimento e a sensibilidade colocam os profissionais em uma posição diferenciada no mercado, uma vez que estes não são mais tão facilmente descartáveis e substituíveis. Capazes de agregar pessoas e formar vínculos de confiança, os trabalhadores tornaram-se agentes sociais preciosos que modificam a relação das empresas com a oopulação e com as cidades. O que ficou do texto para mim foi um questionamento, será mesmo que houve essa mudança? Do trabalhador que antes era disciplinado e docilizado para um trabalhador controlado que exerce todos os papeis descritos pelo trecho acima? Acredito que ainda não, pouco disso mudou e que o texto traz uma visão muito otimista em relação as mudanças do trabalho e os papéis do trabalhador .
Discente: Maria Gabriela Longo O texto traz reflexões importantes sobre subjetividade, massificação e controle. Importante como é descrito que na época da revolução industrial o proletariado achava que estava sendo vigiado em qualquer local e a qualquer momento, dessa forma sentia-se obrigado a seguir a meta de produção e as normas da fábrica. Além disso, o texto traz a alienação de Marx. Embora não cite o nome explicitadamente, há uma analogia a ela diretamente no momento me que diz sobre a especificação no trabalho e a substituição do funcionário caso necessite. Quando o funcionário não sabe o todo de uma produção, ele fica refém a sua tarefa, não podendo depois se apropriar do conhecimento, da forma de produção e ser outro detentor do meio de produção. Como citado na sala de aula a história de uma mulher que trabalha em um bar muito conhecido dessa cidade, quando um funcionário faltava ela acabava substituindo o lugar dele, até que hoje em dia ela exerce a função dela e de mais quatro funcionários que acabaram sendo demitidos, pois apenas uma consegue exercer essa função, por um aumento de 300 reais. Nesse momento, vemos que há uma pessoa exercendo cinco funções e é uma das funcionárias mais bem elogiadas do local. Contudo, tal funcionária nem imagina o poder que tem, pois ela sozinha não faz mais um trabalho específico e sim de quatro, algo que uma empresa não gostaria de perder. Portanto, temos outra alienação, a do senso comum, que a faz não se rebelar contra a empresa ao requerer um salário ou condições dignas pelo o que ela faz. Texto muito bom e importante que traz muita reflexão sobre o controle a partir da lógica de Foucault e Deleuze, além de mostrar outras instituições de doutrinação como a família, escola, instituições que massificam as pessoas e as tornam substituíveis.
o artigo nos traz varias reflexões a respeito da construção da subjetividade do trabalhador e como os meios de produções influenciam nesta construção, mo inicio da sociedade urbana e da produção fabril os trabalhadores eram massificados e explorados, com altas jornadas de trabalho não dava espaço para o trabalhador construir sua identidade, outra importante característica é a vigilância no ambiente de trabalho, funções especificas para vigiar as pessoas eram exercidas para regulamentar a produção, alem das próprias características sociais da época, muito baseadas na disciplina. com o advento da era moderna do seculo XX à diante, muitas coisas mudaram nas relações trabalho-trabalhador, a produção de conhecimento e a globalização se tornaram pontos chaves para o desenvolvimento, devido a isso as instituições disciplinadoras, como escolas por exemplo, passam a dar mais importância a outras áreas de conhecimento além do técnico, a atenção, cuidado, comunicação e sensibilidade ganharam valor econômico, despertando o interesse da sociedade e moldando a cultura e as influencias que esta possui na construção de nossa subjetividade.
As reflexões suscitadas pelo texto foram importantes na medida em que buscaram problematizar os processos ideológicos do sistema em que vivemos e como atuam na subjetividade dos sujeitos. É fato que somos todos interpelados pela ideologia a partir do momento em que adentramos o mundo da linguagem; tudo é ideológico. Precisamos de uma ideologia para viver em sociedade, para nos comunicarmos, para nos fazermos sujeitos. Desse modo, nossa subjetividade é muito influenciada pelos valores da sociedade em que vivemos, que, dada a atual conjuntura, é fortemente alicerçada em ideais como individualismo, competição, ao passo que também contribui para que sejamos obedientes e disciplinados. Isso nos é passado desde muito cedo, na própria família. Também nas escolas vemos esses valores sendo passado a nossas crianças: a criança bem comportada é sempre recompensada e a que foge a esse padrão, não necessariamente por ser indisciplinada, mas questionadora e desafiadora da ordem, é punida e até medicalizada. Pode-se ir mais além nessa reflexão: as escolas quase sempre não obedecem ao verdadeiro sentido da educação, que seria possibilitar que todos se apropriassem de toda e qualquer produção humana, seja ela científica, artística, filosófica ou desportiva, mas, na contramão disso, tem como principal objetivo formar mão-de-obra qualificada para o mercado de trabalho, obedientes e disciplinadas. Já aí começa o processo de “padronização” do sujeito, de modo que o que foge a esse “padrão” está excluído do sistema, sendo também a exclusão um fator significativo na subjetividade dos sujeitos. A criança que não se encaixa é sumariamente excluída, o empregado que não atende às demandas, que se mostram excessivas, é demitido. Tudo isso limita as possibilidades de vir a ser e de atuar no mundo. Nesse sentido, percebemos a importância da atuação do Psicólogo Organizacional; a esse profissional cabe romper com esse status quo na medida do possível e procurar humanizar o ambiente de trabalho. Eu, pessoalmente, não consigo visualizar essa humanização sem uma mudança na própria estrutura da sociedade, na subjetividade dos sujeitos. É preciso atuar nessa subjetividade, que é, de certa forma, a própria lente utilizada para ver, filtrar e interpretar o mundo, dar sentido a ele. Tudo é ideológico, mas essa ideologia bem pode se pautar na inclusão, na diversidade, no empoderamento, na valorização das diferenças.
O texto fala do controle que existia dentro das fábricas para que o trabalhador rendesse mais nas suas desumanas cargas horárias de trabalho, o indivíduo eleito exemplar era o que conseguia dar tudo pela fábrica ou instituição que ele trabalhava.Nesse momento histórico a política de subjetivação era a de posse da identidade do indivíduo. Eram realizados produções exclusivamente materiais. O que podemos ver é que, com relação a estrutura de controle e exploração pouca coisa mudou, hoje a produção é também imaterial e existem sistemas mais modernos de câmeras e dispositivos eletrônicos que controlam os trabalhadores para que esses não fujam de sua produtividade, porém, hoje se propõe algumas formas de dar atençao a subjetividade do indivíduo, como ele se relaciona, se o bem estar dele faz ele render mais, etc. O que acredito que deva mudar a forma de se olhar para essa subjetividade, olhar para ela com um olhar mais humanizado e não visando apenas o lucro das instituições.
O texto estudado e debatido traz importantes reflexões a respeito das politicas de subjetivação do trabalho e suas mudanças ao longo do fim do século XIX e durante o XX. Com a produção fabril sendo a mais marcante até a metade do XX, o que se tem é uma politica de subjetividade onde o que se opera é um caráter fortemente disciplinar, onde a importância da produção e da hierarquia são difundidos e devem ser assumidos pelo individuo. Onde dentro das fábricas se cria uma forte estrutura hierárquica, com pessoas contratadas especialmente para se vigiar o trabalhador e garantir suas altas taxas de produção, geradas no sujeito pelo medo da demissão por baixa produtividade e ser substituído por alguém mais produtivo, assim como uma peça estragada em uma máquina. O que permitia tamanha facilidade para se substituir o trabalhador era o domínio por parte da hierarquia das tarefas de distribuir e fiscalizar as atividades fabris e que era quem possuía o conhecimento a respeito da produção. A partir da metade do século XX a facilidade na transmissão de informação em escola global, permitem que a informação e saberes circulem mais livremente não necessitando da permissão das instituições para tal. Isso gera mudanças na politica de subjetivação onde o controle se aperfeiçoa e ganha instrumentos cada vez mais tecnológicos, como imagens em tempo real por câmeras e rastreamento por satélites, o que fazem com que o monitoramento de trabalhador passe a não ocorrer apenas dentro das paredes das novas empresas. Alem de ser exigido do trabalhador, não que este passe sua vida apenas em um trabalho especializado, mas que seja flexível, informado, independente e ágil.
De acordo com o texto, é possível vislumbrar as mudanças que ocorreram e que foram responsáveis por marcar a virada do século, demonstrando as diferenças no modo de subjetivação do sujeito. Mesmo ocorrendo modificações nesse setor, é visível que o trabalhador se mantém inserido em uma forma de trabalho que tende a disciplinar seus fazeres, massificar as produções e proporcionar controle. Atualmente, as cobranças referentes ao trabalhador se modificaram, agora os trabalhadores são descartáveis e rapidamente substituídos por outra mão de obra, tão especializado quanto. O texto demonstra e busca apresentar algumas melhoras, entretanto acredito que essas “melhoras” apenas distanciam os trabalhadores de perceberem o quanto ainda são subjulgados e explorados para a manutenção do capitalismo.
Creio que pouca coisa mudou em relação às subjetividades produzidas nas instituições de épocas passadas e atualmente.O trabalhador, ainda que de maneira disfarçadas ou até mesmo às claras, na maioria das vezes continua inserido em instituições disciplinares e de controle. Algumas vezes, o "feitor" apenas foi substituído pelo relógio de ponto ou câmeras de vigilância com alta definição. E mesmo que ele transite em diversos contextos sociais, ele precisa ser flexível, não porque seja um indivíduo dotado de subjetividade e capaz de realizar várias tarefas e estar mais apto a resolver problemas inusitados. Ele deve ser mais flexível porque na contemporaneidade exige-se que se faça "tudo ao mesmo tempo agora".Afinal, trabalhador exemplar é aquele que favorece ao máximo o aumento da produção.
ResponderExcluirComo pode ser visto no texto as relações de trabalho que foram se formando na contemporaneidade, mostra que as transformações precipitadas pelo capitalismo avançado geraram maneiras distintas de se administrar as organizações, gerenciar os trabalhadores e planejar as atividades laborais. Essas transformações serviram para se consolidar novas políticas de subjetivação, as quais se articularam diferentemente a cada tempo histórico, sendo efetuadas por meio de múltiplos agentes, destacando assim os proprietários, os trabalhadores, os clientes e a população em geral.
ResponderExcluirA partir do termo política, temos então a partir do texto um sentido amplo: que é compreendida como a elaboração e disseminação de certos modos de se organizar a vida em sociedade, os quais são debatidos, contestados, legitimados e, em larga medida, compartilhados pelo coletivo. No artigo Guattari e Rolnik destacam que, a subjetividade é “essencialmente fabricada e modelada no registro social”. Eles ainda argumentam que a maneira como cada indivíduo se apropria desses componentes será singular e dependerá dos encontros que ele vivencia durante a trajetória de sua vida. Afirmam ainda que: “A subjetividade está em circulação nos conjuntos sociais de diferentes tamanhos: ela é essencialmente social e, assumida e vivida por indivíduos em suas existências particulares”.
Ao falar desses dois conceitos (política e subjetividade), pode-se dizer que as “políticas de subjetivação” envolvem uma produção viva que é composta pelo contato, apreensão, acolhimento e/ou recusa dos diferentes componentes subjetivos que são inventados e colocados em circulação na esfera das relações sociais em dado momento histórico.
Para enraizar essa política de subjetivação, que impunha que as instituições fossem disciplinares, no interior das fábricas, foi realizado todo um trabalho minucioso no sentido de fazer com que cada indivíduo se reconhecesse como alguém que estava sendo permanentemente vigiado por uma rede hierárquica extensa que era composta por pessoas especializadas, contratadas especificamente para realizar as atividades de vigilância e monitoramento. Por estar imerso nesse sistema disciplinar e ter consciência de parte do seu funcionamento, o trabalhador tinha clareza de que estava, na maior parte do tempo, à mercê de diferentes penalidades e/ou sanções caso fosse pego fazendo algo que contrariasse os códigos normativos ou caso diminuísse seu índice de produção. É possível identificar, então, a presença de mais um componente subjetivo, peculiar ao período disciplinar: o medo de ser demitido e excluído da produção em função da baixa produtividade ou da desobediência.
As políticas de subjetivação disciplinar e de controle se mesclaram na contemporaneidade capitalista. Assim, ora o trabalhador é solicitado a adotar uma atitude obediente, sendo amplamente vigiado e monitorado por sofisticados equipamentos de controle,ora ele é convocado a assumir, por si mesmo, o controle sobre seus próprios índices de produção e sobre sua formação profissional. Transitando entre a disciplina e o controle, novas possibilidades de resistência, mas também de exploração, vão ganhando contornos.
De acordo com o texto políticas de subjetivação no trabalho: da Sociedade disciplinar ao controle, mostra a partir da análise das relações no trabalho da contemporaneidade, a existência de duas políticas de subjetivação, uma política que é caracteristicamente disciplinar (preponderante nos séculos XIX e XX ) e outra que tem nos dispositivos de controle, um de seus traços distintivos (e na qual a produção imaterial passa a ser mais amplamente disseminada).
ResponderExcluirEm torno dos conceitos de subjetividade e política mostra-se que as “políticas de subjetivação” são envolvidas por diversas formas as relações sociais por meio do contato, apreensão, acolhimento, recusa dos componentes subjetivos. Assim, é importante analisar a forma como os indivíduos se constituem e a coletividade, para uma noção de uma dimensão inalienável e inesgotável nos seus movimentos de criação e destruição.
Nos séculos XIX e XX o trabalho nas políticas de subjetivação tinha o objetivo de fazer com que o indivíduo se sentisse vigiado e monitorado. Como dizia Foucault: o sequestro do indivíduo para o trabalho, onde o trabalhador era condenado a ser formado, reformado, corrigido, sendo obrigado a adquirir aptidões, receber um certo número de qualidades, qualificar-se como corpo capaz de trabalhar.
Com o passar do tempo, a política de subjetivação sofre mudanças, onde o trabalhador é consciente de seu papel na fábrica com a reprodução de valores sociais e práticas disciplinares. Junto com isso, outras forças, como o avanço tecnológico, a facilidade de acesso a informações, a rapidez na locomoção e a competitividade, começaram a exigir maior preparação para o trabalho, extrapolando, então, a mera aquisição de habilidades motoras básicas e repetitivas.
No capitalismo atual as habilidades subjetivas foram exigidas de forma que o indivíduo consiga ser capaz de atender a necessidade de maior variabilidade entre as instituições, transitar nos contextos sociais, que formaram novos meios subjetivos nas organizações sociais e relações no trabalho.
O trabalho agora imaterial, mostra profissionais descartáveis e substituíveis, sendo o indivíduo obrigado a cumprir metas e ter dedicação integral de trabalho que pode sim gerar adoecimento. Com isso o trabalhador hoje é obediente, pois está sendo vigiado e controlado e/ou ele deve ter o controle da sua produção e formação profissional.
O artigo levanta questões importantes sobre as políticas de subjetivação considerando o contexto do capitalismo. Por outro lado essas políticas de subjetivação sempre existiram, claro que não com esse nome,mas na dimensão do contexto de trabalho.
ResponderExcluirComo o texto cita Foucault e Deleuze dois franceses pensadores do pós-guerra, vale lembrar também Antoine Prost(História da Vida Privada) que resgata de forma histórica a constituição de uma vida privada e pública em que o trabalho era também a mola propulsora, não nas indústrias, mas em casa.
O trabalho que era realizado em casa pelos trabalhadores também estava sob uma política de subjetivação, pois ele, no seio da família desenvolvia suas atividades laborais em condições muito mais precárias do que a que se impõem em muitas das empresas. Claro que não negamos, e tão pouco concordamos com as formas de trabalho que submetem o ser humano a situações e condições que adoecem física e psiquicamente o trabalhado, no entanto é preciso pensar que essas situações sempre existiram e que não é uma condição imposta pelo capitalismo.
Outro aspecto é a consideração de que esses mesmos pensadores jamais estiveram na condição de um trabalhador e que também nada fizeram para modificar a situação desses, pois estavam mais preocupados com suas elaborações filosóficas nos cafés de Paris no pós guerra.
Quanto a questão da "hibridização" dos trabalhos materiais e imateriais essa é uma realidade! Não há como fugir dela! Por outro lado penso que também é um retorno ao trabalho doméstico, pois as empresas exigem que se tenha celular, e-mail, whats etc...para quê? Para controlar o trabalhador, pois tempo é dinheiro!Essa é a maior política de subjetivação: o trabalho adentra novamente a vida privada das pessoas, daí, aliada a pressão pela produção e o cumprimento de metas, advém o adoecimento físico e psíquico.Aqui fica a pergunta, que o artigo também não responde: Como mudar esse contexto? As pessoas estão dispostas a abrir mão de suas conquistas? Elas percebem que deixaram de ser sujeitos em sua individualidades, para se tornarem sujeitos coletivos(o que já impera desde a Revolução Francesa quando Rousseau mata a religião e institui o que é da ordem do social e não individual).
O texto levanta questões importantes a respeito da relação das mudanças socioculturais, políticas e econômicas e o trabalho e de que maneira ele vem se modificando desde então. As políticas de subjetivação que outrora tinham um caráter disciplinatório, onde o indivíduo colocava seu corpo, tempo e disposição a produção, passou por mudanças e hoje seria uma sociedade de controle, onde como afirma o texto o conhecimento e a sensibilidade colocam os profissionais em uma posição diferenciada no mercado, uma vez que estes não são mais tão facilmente descartáveis e substituíveis. Capazes de agregar pessoas e formar vínculos de confiança, os trabalhadores tornaram-se agentes sociais preciosos que modificam a relação das empresas com a oopulação e com as cidades. O que ficou do texto para mim foi um questionamento, será mesmo que houve essa mudança? Do trabalhador que antes era disciplinado e docilizado para um trabalhador controlado que exerce todos os papeis descritos pelo trecho acima? Acredito que ainda não, pouco disso mudou e que o texto traz uma visão muito otimista em relação as mudanças do trabalho e os papéis do trabalhador .
ResponderExcluirDiscente: Maria Gabriela Longo
ResponderExcluirO texto traz reflexões importantes sobre subjetividade, massificação e controle. Importante como é descrito que na época da revolução industrial o proletariado achava que estava sendo vigiado em qualquer local e a qualquer momento, dessa forma sentia-se obrigado a seguir a meta de produção e as normas da fábrica. Além disso, o texto traz a alienação de Marx. Embora não cite o nome explicitadamente, há uma analogia a ela diretamente no momento me que diz sobre a especificação no trabalho e a substituição do funcionário caso necessite. Quando o funcionário não sabe o todo de uma produção, ele fica refém a sua tarefa, não podendo depois se apropriar do conhecimento, da forma de produção e ser outro detentor do meio de produção. Como citado na sala de aula a história de uma mulher que trabalha em um bar muito conhecido dessa cidade, quando um funcionário faltava ela acabava substituindo o lugar dele, até que hoje em dia ela exerce a função dela e de mais quatro funcionários que acabaram sendo demitidos, pois apenas uma consegue exercer essa função, por um aumento de 300 reais. Nesse momento, vemos que há uma pessoa exercendo cinco funções e é uma das funcionárias mais bem elogiadas do local. Contudo, tal funcionária nem imagina o poder que tem, pois ela sozinha não faz mais um trabalho específico e sim de quatro, algo que uma empresa não gostaria de perder. Portanto, temos outra alienação, a do senso comum, que a faz não se rebelar contra a empresa ao requerer um salário ou condições dignas pelo o que ela faz. Texto muito bom e importante que traz muita reflexão sobre o controle a partir da lógica de Foucault e Deleuze, além de mostrar outras instituições de doutrinação como a família, escola, instituições que massificam as pessoas e as tornam substituíveis.
o artigo nos traz varias reflexões a respeito da construção da subjetividade do trabalhador e como os meios de produções influenciam nesta construção, mo inicio da sociedade urbana e da produção fabril os trabalhadores eram massificados e explorados, com altas jornadas de trabalho não dava espaço para o trabalhador construir sua identidade, outra importante característica é a vigilância no ambiente de trabalho, funções especificas para vigiar as pessoas eram exercidas para regulamentar a produção, alem das próprias características sociais da época, muito baseadas na disciplina.
ResponderExcluircom o advento da era moderna do seculo XX à diante, muitas coisas mudaram nas relações trabalho-trabalhador, a produção de conhecimento e a globalização se tornaram pontos chaves para o desenvolvimento, devido a isso as instituições disciplinadoras, como escolas por exemplo, passam a dar mais importância a outras áreas de conhecimento além do técnico, a atenção, cuidado, comunicação e sensibilidade ganharam valor econômico, despertando o interesse da sociedade e moldando a cultura e as influencias que esta possui na construção de nossa subjetividade.
As reflexões suscitadas pelo texto foram importantes na medida em que buscaram problematizar os processos ideológicos do sistema em que vivemos e como atuam na subjetividade dos sujeitos. É fato que somos todos interpelados pela ideologia a partir do momento em que adentramos o mundo da linguagem; tudo é ideológico. Precisamos de uma ideologia para viver em sociedade, para nos comunicarmos, para nos fazermos sujeitos. Desse modo, nossa subjetividade é muito influenciada pelos valores da sociedade em que vivemos, que, dada a atual conjuntura, é fortemente alicerçada em ideais como individualismo, competição, ao passo que também contribui para que sejamos obedientes e disciplinados. Isso nos é passado desde muito cedo, na própria família. Também nas escolas vemos esses valores sendo passado a nossas crianças: a criança bem comportada é sempre recompensada e a que foge a esse padrão, não necessariamente por ser indisciplinada, mas questionadora e desafiadora da ordem, é punida e até medicalizada. Pode-se ir mais além nessa reflexão: as escolas quase sempre não obedecem ao verdadeiro sentido da educação, que seria possibilitar que todos se apropriassem de toda e qualquer produção humana, seja ela científica, artística, filosófica ou desportiva, mas, na contramão disso, tem como principal objetivo formar mão-de-obra qualificada para o mercado de trabalho, obedientes e disciplinadas. Já aí começa o processo de “padronização” do sujeito, de modo que o que foge a esse “padrão” está excluído do sistema, sendo também a exclusão um fator significativo na subjetividade dos sujeitos. A criança que não se encaixa é sumariamente excluída, o empregado que não atende às demandas, que se mostram excessivas, é demitido. Tudo isso limita as possibilidades de vir a ser e de atuar no mundo. Nesse sentido, percebemos a importância da atuação do Psicólogo Organizacional; a esse profissional cabe romper com esse status quo na medida do possível e procurar humanizar o ambiente de trabalho. Eu, pessoalmente, não consigo visualizar essa humanização sem uma mudança na própria estrutura da sociedade, na subjetividade dos sujeitos. É preciso atuar nessa subjetividade, que é, de certa forma, a própria lente utilizada para ver, filtrar e interpretar o mundo, dar sentido a ele. Tudo é ideológico, mas essa ideologia bem pode se pautar na inclusão, na diversidade, no empoderamento, na valorização das diferenças.
ResponderExcluirO texto fala do controle que existia dentro das fábricas para que o trabalhador rendesse mais nas suas desumanas cargas horárias de trabalho, o indivíduo eleito exemplar era o que conseguia dar tudo pela fábrica ou instituição que ele trabalhava.Nesse momento histórico a política de subjetivação era a de posse da identidade do indivíduo. Eram realizados produções exclusivamente materiais.
ResponderExcluirO que podemos ver é que, com relação a estrutura de controle e exploração pouca coisa mudou, hoje a produção é também imaterial e existem sistemas mais modernos de câmeras e dispositivos eletrônicos que controlam os trabalhadores para que esses não fujam de sua produtividade, porém, hoje se propõe algumas formas de dar atençao a subjetividade do indivíduo, como ele se relaciona, se o bem estar dele faz ele render mais, etc. O que acredito que deva mudar a forma de se olhar para essa subjetividade, olhar para ela com um olhar mais humanizado e não visando apenas o lucro das instituições.
O texto estudado e debatido traz importantes reflexões a respeito das politicas de subjetivação do trabalho e suas mudanças ao longo do fim do século XIX e durante o XX. Com a produção fabril sendo a mais marcante até a metade do XX, o que se tem é uma politica de subjetividade onde o que se opera é um caráter fortemente disciplinar, onde a importância da produção e da hierarquia são difundidos e devem ser assumidos pelo individuo. Onde dentro das fábricas se cria uma forte estrutura hierárquica, com pessoas contratadas especialmente para se vigiar o trabalhador e garantir suas altas taxas de produção, geradas no sujeito pelo medo da demissão por baixa produtividade e ser substituído por alguém mais produtivo, assim como uma peça estragada em uma máquina. O que permitia tamanha facilidade para se substituir o trabalhador era o domínio por parte da hierarquia das tarefas de distribuir e fiscalizar as atividades fabris e que era quem possuía o conhecimento a respeito da produção. A partir da metade do século XX a facilidade na transmissão de informação em escola global, permitem que a informação e saberes circulem mais livremente não necessitando da permissão das instituições para tal. Isso gera mudanças na politica de subjetivação onde o controle se aperfeiçoa e ganha instrumentos cada vez mais tecnológicos, como imagens em tempo real por câmeras e rastreamento por satélites, o que fazem com que o monitoramento de trabalhador passe a não ocorrer apenas dentro das paredes das novas empresas. Alem de ser exigido do trabalhador, não que este passe sua vida apenas em um trabalho especializado, mas que seja flexível, informado, independente e ágil.
ResponderExcluirAna Flávia Girotto de Camargo
ResponderExcluirDe acordo com o texto, é possível vislumbrar as mudanças que ocorreram e que foram responsáveis por marcar a virada do século, demonstrando as diferenças no modo de subjetivação do sujeito. Mesmo ocorrendo modificações nesse setor, é visível que o trabalhador se mantém inserido em uma forma de trabalho que tende a disciplinar seus fazeres, massificar as produções e proporcionar controle. Atualmente, as cobranças referentes ao trabalhador se modificaram, agora os trabalhadores são descartáveis e rapidamente substituídos por outra mão de obra, tão especializado quanto. O texto demonstra e busca apresentar algumas melhoras, entretanto acredito que essas “melhoras” apenas distanciam os trabalhadores de perceberem o quanto ainda são subjulgados e explorados para a manutenção do capitalismo.